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Dificuldades De Sono No Autismo

O Sono no Autismo

Crianças podem apresentar Distúrbios de Sono por motivos diversos, mas as dificuldades de sono no autismo guardam particularidades.

O transtorno do espectro autista (TEA) caracteriza-se por déficits na interação social, desenvolvimento da linguagem e comunicação, bem como padrões de comportamento estereotipados e interesses restritos.

Crianças com TEA são mais propensas a ter problemas de sono, com uma prevalência estimada entre 50% a 80% em comparação com 11% a 37% das crianças sem TEA.

São relatos comuns dos pais de crianças com TEA: dificuldade em adormecer e manter o sono durante a noite, despertar precoce e rotinas de sono ruins. Além disso, a queixa de sonolência diurna, parassonias e movimentação excessiva durante o sono é frequente.

O impacto da perturbação do sono no autismo, em crianças e adolescentes com TEA, foi previamente considerada como correlacionada com seu nível de capacidade funcional e cognitiva. Mas atualmente, acredita-se que crianças com TEA em todos os níveis de capacidade funcional e cognitiva apresentam taxas aumentadas de distúrbios do sono, impactando ainda mais essa população. Além disso, a gravidade dos problemas de sono no autismo, especialmente a insônia, está significativamente correlacionada com comportamentos disfuncionais em pré-escolares com TEA.

Qual a razão das crianças no espectro autista terem dificuldade com o sono?

A origem dos distúrbios do sono no autismo não é clara. Acredita-se que o sono alterado esteja relacionado à fisiopatologia do TEA. Os mecanismos envolvidos podem ser de natureza comportamental, médica, neurobiológica e, como em toda criança com distúrbio de sono, a causa pode ser multifatorial.

Alguns dos fatores relacionados à dificuldade de sono no autismo:

  1. Fatores comportamentais como:  má higiene do sono, protelação na hora de dormir, comportamentos de recusa são algumas das causas mais comuns de insônia em crianças com ou sem TEA. Esses desafios são ainda maioress em crianças autistas pela dificuldade de comunicação e compreensão das expectativas dos pais, hiperresponsividade a estímulos ambientais e comportamentos autoestimulantes.
  2. Quadros que podem levar à fragmentação do sono são a apneia obstrutiva do sono e movimentos periódicos das pernas durante o sono, sendo observados em maior prevalência em crianças com TEA.
  3. Crianças e adolescentes com TEA apresentam aumento dos sintomas gastrointestinais, incluindo doença do refluxo gastroesofágico, diarréia, constipação e dor abdominal, o que pode afetar a eficiência do sono.

Qual a relação entre epilepsia e distúrbios de sono no autismo?

A epilepsia é comum em crianças com TEA, ocorrendo em um terço dos pacientes. Crianças com autismo podem apresentar ainda taxas de descargas epilépticas durante o sono, mesmo sem histórico de crises epilépticas, possivelmente resultando na fragmentação do sono.

Medicação e as dificuldades com o sono no autismo

O uso de medicamentos, como os psicoestimulantes, antidepressivos e antiepilépticos, também podem afetar o sono.

Os transtornos de ansiedade e de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) são transtornos de alta excitação prevalentes em crianças e adolescentes com TEA, estando associados a problemas de sono em crianças com TEA.

A melatonina e o sono no Autismo

Os níveis anormais de melatonina podem desempenhar um papel na insônia em crianças com TEA. A melatonina é sintetizada na glândula pineal e está envolvida em múltiplas funções, incluindo indução do sono, regulação do ritmo circadiano e função imunológica.

Baixos níveis de melatonina foram demonstrados em indivíduos com TEA. Esses achados sugerem que a disfunção circadiana pode ser a gênese do atraso do início do sono em alguns pacientes com TEA, enquanto em outros pode ser multifatorial, pois nem todos os pacientes respondem à suplementação de melatonina.

A genética do Sono no Autismo

Existem poucos estudos sobre genes que podem ser relevantes para distúrbios do sono. Mutações em genes circadianos relevantes parecem ser mais frequentes em pacientes com TEA e distúrbios do sono. Ainda não foi definido se crianças e adolescentes com TEA têm um ritmo circadiano inerente alterado que regula o ciclo vigília-sono.

Estudos avaliando o padrão de ondas cerebrais durante o sono de crianças com TEA demonstraram uma redução significativa do tempo total de sono, aumento da proporção do sono de ondas lentas e redução do sono de movimento rápido dos olhos (REM). Se essas mudanças ocorrerem, é possível que isso possa afetar a neuroplasticidade e, por fim, o sono.

Uma boa qualidade de sono é muito importante para o adequado desenvolvimento de toda criança!

Se o seu filho apresenta dificuldades para dormir, consulte um neuropediatra que entenda de distúrbios do sono

 

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